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A caixa de lâmpadas que guarda as queimadas
Cada lâmpada testada no soquete, as queimadas separadas por tipo e as boas etiquetadas com a potência e o cômodo.
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Cada lâmpada boa com a sua fita
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Abra o armário de ferramentas e puxe a caixa de lâmpadas. Dentro dela mora uma pequena população sem documento: a bolinha de LED que veio num kit, a espiral branca de alguma reforma antiga, a lâmpada de geladeira, a de abajur com o vidro fosco e umas três que ninguém sabe se acendem.
Agora tente responder qual delas serve na luminária do corredor. Ninguém sabe. A caixa virou um arquivo de dúvidas, e a resposta da casa costuma ser a mais cara: ir à loja e comprar uma nova, enquanto a caixa segue cheia.
O problema começa no gesto de quem troca. A lâmpada queima, alguém sobe na cadeira, tira a velha e, sem lugar pra pôr, devolve pra caixa. A queimada passa a dormir junto das boas, com o mesmo formato e o mesmo vidro limpo.
Por fora, quase nada denuncia a morta. A incandescente às vezes mostra o filamento partido, mas a de LED e a fluorescente compacta parecem novas até o fim. Sem teste, toda lâmpada da caixa vale como talvez.
E a fluorescente cobra um cuidado a mais. Ela traz dentro do tubo uma pequena quantidade de mercúrio, o metal líquido que vira vapor tóxico quando o vidro quebra. Jogada no saco do lixo comum, ela se parte no caminhão e solta o vapor no ar da rua.
O motivo da bagunça é simples: lâmpada não tem etiqueta de uso. A embalagem com a potência e o tipo de rosca vai pro lixo no dia da compra, e o que sobra é um bulbo mudo.
A saída cabe em quinze minutos, com a caixa esvaziada no chão da sala e um abajur de rosca comum ligado na tomada. Cada lâmpada passa pelo soquete, a queimada ganha um destino pelo tipo e a boa ganha um nome.
O material é curto: o abajur, uma folha de jornal pra forrar o chão, um rolo de fita crepe, uma caneta permanente e três sacos ou caixinhas de papelão. O trabalho começa com a caixa vazia e todas as lâmpadas deitadas no jornal.
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I O Quinze do Dia
O abajur que julga cada lâmpada
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A lâmpada de rosca que você testa hoje tem nome e sobrenome: o encaixe se chama rosca Edison, em homenagem ao inventor americano Thomas Alva Edison, que patenteou o modelo em 1881 depois de apresentar a sua lâmpada de filamento de carbono em Menlo Park, Nova Jersey, no fim de 1879.
O código que aparece na base, como E27, guarda a mesma origem: a letra E vem de Edison e o número diz o diâmetro da rosca em milímetros. A E27 é a rosca comum das casas brasileiras; a E14, mais fina, aparece em abajur, lustre pequeno e geladeira.
Daí o abajur vira juiz. Ligue ele na tomada, deixe o interruptor desligado e só então rosqueie cada lâmpada, sem forçar. Ligue, conte até três e desligue. Acendeu, vai pra pilha das boas. Ficou apagada, repita uma vez com a rosca mais firme e, se seguir escura, ela está queimada.
QUEM PASSA PELO SOQUETE
A lâmpada de LED e a incandescente acendem na hora. A fluorescente compacta (a espiral ou o tubinho branco) pode levar alguns segundos pra chegar ao brilho cheio, e piscar um pouco no começo não reprova ninguém.
Lâmpada de rosca E14 precisa de um soquete fino. Se a casa não tem abajur com essa rosca, use a luminária onde ela trabalha, com o disjuntor do cômodo desligado na hora da troca e religado só pro teste.
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Lâmpada que passou pelo soquete vira certeza; a que não passou segue sendo dúvida.
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Deixe esfriar antes de tirar. Incandescente e halógena esquentam em segundos e queimam a ponta do dedo; LED e fluorescente aquecem menos, mas a base metálica também guarda calor.
Lâmpada que acende mas pisca sem parar, zumbe ou demora mais de um minuto pra clarear também sai da pilha das boas. Ela está no fim da vida e vai falhar justo na noite em que alguém precisar dela; trate como queimada e mande pro monte do seu tipo.
A de vidro escurecido por dentro conta a mesma história. Na incandescente e na halógena, a mancha cinza no bulbo é metal do filamento que evaporou com o uso, e a luz já sai mais fraca do que a etiqueta promete.
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Abajur na tomada: interruptor desligado antes de rosquear. |
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Três segundos de luz: acendeu fica, apagou ganha uma segunda chance. |
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Duas pilhas no jornal: as boas de um lado, as queimadas do outro. |
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II Antes e Depois
A potência escrita na fita
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Com o teste feito, a pilha das boas ganha documento. Procure na base ou no vidro a potência em watts (W, a medida da energia que a lâmpada consome) e, nas mais novas, o fluxo luminoso em lúmens (lm, a medida da luz que ela entrega de fato).
O lúmen é o número que interessa na hora de escolher. Uma lâmpada de LED de 9 W entrega luz parecida com a de uma incandescente antiga de 60 W, porque gasta bem menos energia virando calor.
A IDADE DA INCANDESCENTE
O Brasil tirou a incandescente comum das lojas em etapas. A Portaria Interministerial 1.007, de 2010, dos ministérios de Minas e Energia, da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, fixou um calendário de eficiência que barrou as potências maiores primeiro e fechou o ciclo em 2016. A incandescente que sobrou na caixa é, quase sempre, uma peça de mais de dez anos.
Corte um pedaço de fita crepe e cole na base, na parte de vidro mais perto da rosca, onde o calor é menor. Escreva a potência, a cor da luz e o cômodo: "9 W, branca, área de serviço" ou "7 W, amarela, quarto". Luz amarela (a quente, de 2.700 K, o kelvin que mede o tom da luz) combina com quarto e sala; a branca, de 6.500 K, com cozinha e banheiro.
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"Não tenha nada em sua casa que você não saiba ser útil ou acredite ser belo."
William Morris, palestra The Beauty of Life (A Beleza da Vida), 1880.
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O designer inglês William Morris falava de móvel, mas a lâmpada sem etiqueta é o exemplo perfeito do inútil escondido. Ela até funciona, só que ninguém sabe onde, e a caixa vira depósito.
Guarde as boas de pé, com a rosca pra baixo, numa caixa de sapato com divisórias de papelão. O vidro não encosta no vidro, e a etiqueta fica de frente pra cima, legível sem tirar nada do lugar.
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A etiqueta diz a potência e o cômodo; quem troca a lâmpada não precisa adivinhar.
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Antes: uma caixa com doze lâmpadas soltas, três queimadas misturadas e nenhuma com o cômodo escrito. Depois: as boas em pé, cada uma com a sua fita, as queimadas fora da caixa e a luminária do corredor com a peça certa pronta pra subir.
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