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As pilhas dois e três agora viram encaminhamento, e o destino muda conforme o estado do exemplar. O volume íntegro, com capa firme, miolo sem rabisco e sem mofo, tem três portas de saída. O danificado tem outra, e a diferença precisa ficar clara antes da sacola fechar.
Sebo de bairro compra ou troca por crédito, e trabalha com seleção: costuma aceitar literatura recente, técnico atualizado, arte, quadrinho e edição esgotada, e recusa didático de edição vencida, autoajuda em excesso de oferta e enciclopédia antiga. Ligue antes, descreva os títulos por telefone e pergunte se hoje vale dinheiro ou crédito na loja.
Biblioteca pública do bairro recebe doação por outra lógica: ela avalia o que falta no acervo e o que a comunidade procura. Literatura brasileira, livro infantil, material de concurso público recente e técnico de curso profissionalizante saem de circulação rápido nesses lugares. Pergunte pela pessoa responsável pela seleção e leve a lista escrita dos títulos, porque a resposta sai na hora e evita segunda viagem.
O TELEFONE ANTES DA SACOLA
Três perguntas resolvem a entrega: se recebem doação nesta semana, quais assuntos estão em falta e qual o horário de recebimento. Escola pública, associação de moradores e posto de saúde com sala de espera também aceitam, e a sala de espera absorve revista e livro leve que o sebo recusa sem pestanejar.
O exemplar danificado sai por outra porta. Miolo com mofo verde ou preto não entra em acervo público, porque o esporo contamina a prateleira vizinha, e ele segue direto pra reciclagem de papel, com capa dura separada do miolo. Volume rabiscado a lápis de cor, sem capa ou com página faltando, vira material de colagem em escola de educação infantil e em ateliê de bairro, que costumam pedir com frequência.
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Doação de livro vale quando o exemplar entra na prateleira de quem recebe no mesmo dia. Caixa com mofo é serviço transferido, nunca presente entregue.
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Coloque a data de hoje com caneta na lateral da caixa de papelão e defina a saída dela pra dentro de sete dias. Caixa fechada parada no corredor reabre sozinha: alguém resgata dois títulos na quinta-feira, mais um no domingo, e em duas semanas o acervo cortado subiu de volta pra estante.
A manutenção depende de um gesto só, praticado na hora da compra: o volume novo entra na prateleira e um da pilha dois sai pra caixa no mesmo movimento. A estante ganha teto fixo, a madeira para de ceder no meio e a sessão de quinze minutos não precisa acontecer de novo no ano que vem.
Ao fim dos quinze minutos a sala mostra a prateleira do olho com o que volta às mãos, um vão de mão aberta na ponta de cada tábua, uma sacola com os títulos separados pro sebo, outra endereçada à biblioteca do bairro e a caixa datada esperando a carona de quinta-feira.
"Quantos livros da sua estante você abriu de novo depois de fechar a última página?"
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